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Passeio na rotina |
Ah! Que saudade do memorável tempo que não vivi
Mas que por sonhos nele me encantei
O tempo em que não havia tempo
O tempo em que o tempo não era bem marcado
O tempo de parar para sorrir
O tempo em que pessoas habitavam praças
E paralelo à essas praças haviam ruas
Onde os carros passavam sem fumaças
O tempo em que os leitores se aconchegavam
Entre as raízes das árvores nas tardes de brisa fina e úmida
O tempo em que a sensibilidade era uma virtude
E não motivo de exclusão
O tempo em que as pessoas se abraçavam forte
E somente os atores mascaravam sentimentos
O tempo em que somente os bois tinham mentes de rebanho
O tempo em que as mulheres eram obras-primas da natureza
E a arte despretensiosamente as “publicava” com delicadeza
O tempo em que a estética estava na plástica do olhar dos poetas
O tempo em que era importante ser gentil
O tempo em que era comum dar importância às pessoas
O tempo em que as revoluções era de conduta e não de guerrilha
Se existiu, ouvi falar ou inventei este tempo não importa
Basta refletir na paisagem um pouco de encantamento pueril
E ele se dá, deu, dará...
