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Meia Ponte – Meia vida |
“(...) talvez ano que vem, se eu tiver paciência, eu volte aqui neste mesmo lugar para falar a mesma coisa para vocês, ma a situação estará ainda pior!” Não me espanta a dúvida do leitor sobre que situação seria esta: a do Brasil e a corrupção?A da Venezuela e sua duvidosa realidade democrática?A das greves que estão ocorrendo em Goiânia e no restante do país?O caótico panorama político, social e econômico do Sudão?
Não me surpreende: primeiro por que o depoimento citado não foi contextualizado, segundo por que com o enorme número de problemas que o mundo vivencia fica difícil para o leitor imaginar qual deles estaria em foco desta vez e também pela apatia da população mundial, incluindo os leitores deste blog e a autora do texto é que existe esta “situação” e outras que procuramos fingir não saber.
O Dr. Júlio Cezar Rubin, que pesquisou por dez anos os impactos ambientais provocados pela ação humana no Rio Meia Ponte, é o autor da declaração “verde” que era referente à situação do Meia Ponte e foi feita em uma palestra na Semana da Cidadania que ocorreu na Universidade Católica de Goiás, para jovens cidadãos goianos.
O Rio Meia Ponte percorre
Mas importância não é uma qualificação muito relevante, tendo em vista que tantas coisas, que são assim qualificadas sejam tão negligenciadas, como é o caso das questões que permeiam o aquecimento global, que, aliás, envolvem esta questão do Meia Ponte, que se encontra altamente poluído.
O nível de lixo depositado ao longo da margem do rio é impressionante, na pesquisa do Dr.Júlio César foram encontrados soterrados até a 6m de profundidade nos cursos d’água. O professor ressaltou também que medidas paliativas são desnecessárias, que é um problema que deve ser solucionado pelo governo, mas a sociedade não pode esperar pela iniciativa dele, deve agir de forma concreta(organizando mutirões por bairro para promover a limpeza do fundo e da margem do rio e entre outras formas) e cobrar dos órgãos públicos. Resta saber se a sociedade está realmente disposta a contribuir para salvar um rio, a vida do planeta e a própria vida!

Show na mídia |

Em 1984,o escritor George Orwell previu um futuro de vigilância mundial,mas não sabia que as pessoas gostariam tanto de serem observadas.
Hoje,programas da internet e celulares permitem rapidamente essa exposição de pessoas.Elas não importam como vão aparecer,se a imagem vai ser denegrida ou não.O que realmente é levado em conta é o minuto de fama que terão.
Os próprios sites de relacionamentos afirmaram que "fazer amigos é menos importante do que ter um altar para falar bem de si mesmo".
A superexposição, a mídia levam o homem a viver o tempo todo no mundo virtual,porque ele pode criar a imagem que quiser,escolher como os outros vão vê-lo.
Já o mundo real é desinteressante para a maioria das pessoas,pois se torna comum,desconhecida,mais um número entre milhares.
Será que somos só isso,mais um número?Precisamos realmente aparecer na mídia para sermos felizes?Levar uma vida digna com a família e amigos não é mais importante?

MARIA MARIA MARIA |

Tudo começou com um diálogo sutil durante um baile da “terceira idade” que fotografei para um trabalho acadêmico.
Ela se apresentou e foi logo dizendo: “Eu sou uma pessoa de sorte”. Dona de um sorriso incrível, Maria confidenciou-me que ficara viúva aos 30 anos, mas que aproveitara cada instante que a vida lhe oferecia, não se arrependendo de nada.
Logo, apontava a uma senhora de ralos cabelos brancos ( que dançava animadamente) dizendo: “ aquela é a Maria, ela está com câncer no estômago mas não deixa de freqüentar o baile”.
Esta Maria, a que dançava sem parar, faz as seções de quimioterapia e logo após, segue para o forró com seu companheiro (cujo relacionamento já dura 10 anos e como mais tarde ela mesma me diria, “juntamos nossos trapos e nos damos muito bem”). Ah, esqueci de dizer, Maria é cega de um olho.
Estive pensando

Hino Nacional. |

Precisamos descobrir o Brasil!
Escondido atrás das florestas
Com a água dos rios no meio,
O Brasil está dormindo, coitado.
Precisamos colonizar o Brasil.
O que faremos importando francesas
Muito louras, de pele macia,
Alemãs gordas, russas nostálgicas para garçonettes dos restaurantes noturnos.
E virão sírias fidelíssimas.
Não convém desprezar as japonesas...
Precisamos educar o Brasil.
Compraremos professores e livros,
Assimilaremos finas culturas,
Abriremos dancing e subvencionaremos as elites.
Cada brasileiro terá sua casa
Com fogão e aquecedor elétricos, pisicina,
Salão para conferências científicas.
E cuidaremos do Estado Técnico.
Precisamos louvar o Brasil.
Não é só um país sem igual.
Nossas revoluções são bem maiores
Do que quaisquer outras; nossos erros também.
E nossas virtudes? A terra das sublimes paixões...
Os Amazonas inenarráveis... os incríveis João Pessoas...
Precisamos adorar o Brasil!
Se bem que seja difícil caber tanto oceano e tanta solidão
No pobre coração já cheio de compromissos...
Se bem que seja difícil compreender o que querem esses homens,
Por que motivo eles se ajuntaram e qual a razão de seus sofrimentos.
Precisamos,precisamos esquecer o Brasil!
Tão majestoso, tão sem limites, tão despropiado,
Ele quer repousar de nossos terríveis carinhos.
O Brasil não nos quer! Está farto de nós!
Nosso Brasil é no outro mundo. Este não é o Brasil.
Nenhum Brasil existe. E acaso exitirão os brasileiros?
Carlos Drummond de Andrade.

Missão Cumprida |
De Andrea Mota
A conquista de um amigo é uma vitória em meio ao tiroteio das relações humanas. Interesse todos tem, entretanto o ouvir sincero e atento, o afago demorado e acolhedor, estes não encontramos em qualquer esquina e tampouco a qualquer preço. E como se quem criou tudo isso tivesse errado a mão e nos feito com apenas 25% do total original, percebido tal equivoco supriu essas lacunas com pedaços espalhados e conquistados durante a vida para o, enfim, conforto espiritual.
25% direciona-se a família e este seria o mais facilitado dos pedaços ofertados na prateleira, doado segundos iniciais da vida e, se bem administrado, uma companhia permanente.
Os outros 25% perderam-se na multidão, procura-se nas lanchonetes, nas salas de aula, nas festas e ate nos becos da vida, já que para alguns essa parcela e dominadora e propensa a uma “rapidinha”, como dizem as más línguas. Estamos falando do Amor, enquanto uns, desesperadamente, clamam por Afrodite outros incorporam Diana e caçam o Amor como coelho fugaz.
Equívoco dos mais antigos é “meter” uma laranja ou, pelo menos, metade desta nos acalorados debates travados, esse tipo de Amor não é tudo e nem metade desse tudo, ainda temos 75% de trabalho braçal.
O mais esquecido é a parcela destinada à busca do coletivo, da unidade. Nesse fragmento, o trabalho duplica e, se realizado bem feito, os resultados ecoam por décadas e podem facilitar os demais segmentos. Mudamos uma praça, uma casa, uma rua, um governo, uma nação, se os meios forem limpos e a intenção verdadeira e nobre.
Os 25% finais são a extensão do parágrafo anterior, a amizade é similar ao “nosso” estádio Mangueirão em partida final de campeonato entre remo e paisandu. Quando, finalmente, decidimos abrir as porteiras é uma desorganização geral, tem gente vindo de sabe Deus onde, estádio lotado e portões de estrutura ameaçada, uns se aproveitam do momento e pulam a cerca, outros se machucam, uns tem pressa, o atraso é constante e ainda aparecem os “carinhas” da autopromoção. Se ficarmos quietos, nos jogam cerveja e não contentes lançam a lata também, talvez essa seja a amizade mais dolorosa. No final de tudo você sai com os 25% fragmentados, pois ira aparecer o amigo da farra, o psicólogo, o problemático, o tarado, o machista, todos embebidos de verdades, teorias e afagos, uns consistentes, outros desligados, porem todos com um ar de seleção, de destino marcado.
Ao final da trajetória da cartilha, completado os pontinhos e a porcentagem majestosamente alcançada, admiramos nos flashes pré-morte o dever cumprido, o significado real da vida e sua importância espiritualmente aceita pela comissão de São Pedro.
Andrea Mota é convidada do Ponto de Vista!

O que é bom deve ser compartilhado |
Aos amantes da poesia, acaba de ser lançado pela editora Alfaguara o livro Quando fui outro, uma seleção de textos de Fernando Pessoa, este poeta que está entre os principais modernistas que fizeram do século XX uma época de extraordinária riqueza poética e que revolucionou a poesia mundial criando os chamados heterônimos. Como atesta o escritor Luis Rufatto, organizador desta antologia “este é um livro para os apaixonados” e a paixão é apenas um dos temas explorados, estão reunidos aqui textos em prosas e poemas essenciais deste poeta que o tempo não apagou e que ainda espelham o homem contemporâneo.
A Rainha

Helem Mirrem está surpreendente na pele da rainha Elizabeth II e neste filme vencedor de quatro Ocars incluindo melhor atriz. A notícia da morte da princesa Diana se espalha rapidamente pelo mundo. Incapaz de compreender a reação emocional do público britânico, a rainha Elizabeth II (Helen Mirren) se fecha com a família real no palácio Balmoral. Tony Blair (Michael Sheen), o recém-apontado primeiro-ministro britânico, percebe que os líderes do país precisam tomar medidas que os reaproximem da população e é com essa missão que ele procura a rainha. Elogiado pela critica recebeu além do Oscar premiações no Globo de ouro, Goya, Volp cup, BAFTA, e foi ovacionado no Festival de Veneza.Com direção de Stephen Frears esse filme é pura exuberância de fotografia, figurino, Trilha sonora, um belo roteiro e a vencedora atuação de Helem Mirrem.

A liberdade de intenção |
“... em um sistema semiótico bem organizado, um signo já é um texto virtual,
e, num processo de comunicação, um texto nada mais é que a expansão da
virtualidade de um sistema de signo.” – Umberto Eco.
“Em sentido amplo, a palavra texto designa um enunciado qualquer, oral ou escrito, longo ou breve, antigo ou moderno. Concretiza-se, pois, numa cadeia sintagmática de extensão muito variável, podendo circunscrever-se tanto a um enunciado único ou a uma lexia, quanto a um segmento de grandes proporções. São textos, portanto, uma frase, um fragmento de um diálogo, um provérbio, um verso, uma estrofe, um poema, um romance, e, até mesmo, uma palavra-frase, ou seja, a chamada frase de situação ou frase inarticulada, como a que se apresenta em expressões como “Fogo!”, “Silêncio”, situadas em contextos específicos.” – Elisa Guimarães
Especialistas em lingüística podem conceituar de diversas maneiras texto. Mas um ponto em que todos concordam é o fato de o texto ser uma unidade significativa. Isso quer dizer que o texto é um OBJETO CULTURAL na medida em que pode conter um universo de significados em um universo de formas, para uma infinidade de mentes, costumes, crenças...
Com isso, a idéia restrita de que um texto só deve ser um grupo de palavras escritas contendo coesão e coerência, é ultrapassada, mais do que isso, é equivocada. Pois, uma moldura em branco, uma palavra, um ponto de interrogação, uma letra, uma charge, uma poesia, uma pergunta...Tudo isso e muito mais são considerados textos. Textos por apresentarem algum tipo de significado. Por não dizer nada a uns, mas dizer tudo a outros.
Quando se pensa a comunicação enquanto transmissão intencional de informação, entende-se que mesmo um cego ou um surdo precisam receber a informação, precisam se comunicar. E ai surgem as várias formas de linguagem e como essa precisa se adequar às diversas circunstâncias.
A INTENÇÃO deve ser levada em consideração quando alguém escreve um texto (seja lá que forma ele assuma).
Toda essa questão passa por um conceito que muitos tomam como uma conquista - liberdade de expressão. Liberdade essa que precisa ser respeitada e deve estar além de qualquer pré-conceito. Já que por trás de uma expressão há sempre uma intenção. E críticas sem sugestões de possíveis melhoras e sem esse tipo de ponderação, são NADA.
As palavras (signos) articuladas formam códigos, pensamentos encadeados podem formar uma idéia e diversas idéias podem expressar soluções. O texto agrega tudo isso. E por esse motivo não pode ser restrito.
