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Talvez por culpa dos próprios blogueiros, as pessoas estejam dando aos blogs uma relevância descomunal. Atribuindo uma sobre-importância a qualquer coisa publicada em um blog. Acreditando nos blogs como se fossem retratos do mundo que não permitem contestação: “se deu no blog, é verdade”. Um raciocínio tão temerário quanto as variantes “se saiu no jornal/ mostrou na TV/ falou no rádio”.
Há blogs de vários tipos, mas eles são, basicamente, um espaço para se escrever em primeira pessoa, manifestando uma visão que não se pretende indiferente, totalmente objetiva, distante. Um lugar em que se dá opinião; em que se assume uma posição em relação aos fatos. Mas isso também é ignorado às vezes; as pessoas presumem objetividade absoluta (a não ser no meu caso, porque sou filiada a um partido). Um blogueiro pode ser equilibrado, honesto, justo, mas todo mundo tem opiniões, julgamentos, preferências. Que, quanto mais claros ficarem, melhor.
O blog pode mesmo tratar de coisas muito importantes, como pode comentar fatos cotidianos, coisas banais que fazem parte da vida tanto quanto os grandes fatos e decisões. Se eu falo de futebol ou de flores, não estou, acredito, “desperdiçando o precioso espaço na mídia” – ou será que precisamos extinguir tudo que é publicado exceto os cadernos de política e polícia? Grandes cronistas que admiro, na narração poética de cenas corriqueiras, foram importantes para mim, tanto quanto autores de grandes estudos, ensaios, artigos e reportagens sobre coisas “sérias”. Entre aspas, porque a vida cotidiana também é séria, o relacionamento entre as pessoas é sério, o lazer é caso sério, a cultura, a arte, o esporte, as sensações e sentimentos também são.
fonte:blog da Soninha
